Escore de Wells para TEP: critérios, pontuação e conduta
O escore de Wells para TEP soma pontos por sete critérios: sinais de TVP (3), TEP como diagnóstico mais provável (3), frequência cardíaca > 100 (1,5), imobilização ou cirurgia recente (1,5), TEP/TVP prévios (1,5), hemoptise (1) e câncer ativo (1). Total de 0 a 12,5. Pelo modelo de duas categorias, ≤ 4 é TEP improvável (D-dímero) e > 4 é provável (angiotomografia de tórax).
Quais são os critérios do escore de Wells para TEP?
| Critério | Pontos |
|---|---|
| Sinais clínicos de TVP (edema da perna e dor à palpação venosa profunda) | +3 |
| TEP é o diagnóstico mais provável (outro diagnóstico menos provável) | +3 |
| Frequência cardíaca > 100 bpm | +1,5 |
| Imobilização por ≥ 3 dias ou cirurgia nas últimas 4 semanas | +1,5 |
| TEP ou TVP prévios | +1,5 |
| Hemoptise | +1 |
| Câncer ativo (tratamento nos últimos 6 meses ou paliativo) | +1 |
Como interpretar a pontuação (probabilidade pré-teste)?
| Modelo | Pontuação | Categoria | Prevalência de TEP* |
|---|---|---|---|
| Três categorias | < 2 | Baixa | ~4% |
| 2 a 6 | Moderada | ~21% | |
| > 6 | Alta | ~67% | |
| Duas categorias | ≤ 4 | TEP improvável | ~12% |
| > 4 | TEP provável | ~37% |
* Valores aproximados das coortes de derivação e validação (Wells 2000 e 2001). Variam com a população e o serviço.
Qual a conduta depois do escore? D-dímero e angiotomografia
- Improvável (≤ 4): D-dímero. Negativo exclui TEP; positivo leva à angiotomografia de tórax.
- Provável (> 4): angiotomografia de tórax direto. Não use D-dímero para excluir.
- Baixíssimo risco: se o PERC for totalmente negativo em paciente de baixa suspeita, não é preciso pedir nem o D-dímero.
- Suspeita alta e exame demorado: considerar anticoagulação empírica, se não houver contraindicação.
O D-dímero tem baixa especificidade (sobe com idade, gestação, câncer, infecção e pós-operatório) e só serve para excluir quando a probabilidade é baixa. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica, a conduta não passa por escore: avalie ecocardiograma à beira do leito e reperfusão conforme o protocolo.
Quais são as limitações do escore de Wells para TEP?
- Validado em adultos ambulatoriais com suspeita de TEP; desempenho menor em internados, gestantes e COVID-19.
- Contém um critério subjetivo (“TEP é o diagnóstico mais provável”) de peso alto.
- É uma estimativa de probabilidade, não um diagnóstico.
- Não substitui a avaliação de gravidade (estabilidade hemodinâmica, troponina, ventrículo direito).
Para trombose da perna, veja o escore de Wells para TVP. Informação educativa: a conduta cabe à equipe assistente.
A calculadora soma os critérios do Wells para TEP nos modelos de duas e três categorias.
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Perguntas frequentes
Quais são os critérios do escore de Wells para TEP?
Sinais clínicos de TVP (3 pontos); TEP é o diagnóstico mais provável ou o outro diagnóstico é menos provável (3); frequência cardíaca acima de 100 bpm (1,5); imobilização por 3 dias ou mais, ou cirurgia nas últimas 4 semanas (1,5); TEP ou TVP prévios (1,5); hemoptise (1); câncer ativo, em tratamento nos últimos 6 meses ou paliativo (1).
Qual a pontuação do Wells para TEP?
A pontuação vai de 0 a 12,5. No modelo de três categorias: menos de 2 é baixa probabilidade, 2 a 6 é moderada e mais de 6 é alta. No de duas categorias: 4 ou menos é TEP improvável e mais de 4 é TEP provável.
O que fazer com TEP improvável (Wells ≤ 4)?
Pede-se o D-dímero. Se for negativo, a embolia pulmonar é praticamente excluída. Se for positivo, indica-se angiotomografia de tórax (ou cintilografia V/Q quando a tomografia não é possível). Em maiores de 50 anos pode-se usar o D-dímero ajustado à idade (idade × 10 µg/L).
O que fazer com TEP provável (Wells > 4)?
Vai-se direto à angiotomografia de tórax, sem usar o D-dímero para excluir. Em alta suspeita e demora do exame, muitos protocolos iniciam anticoagulação empírica se não houver contraindicação. A decisão é individual.
O que significa “TEP é o diagnóstico mais provável”?
É o único critério subjetivo do escore: vale 3 pontos quando, depois da avaliação clínica, nenhuma outra explicação (pneumonia, ICC, pneumotórax, dissecção, dor musculoesquelética) é mais provável que embolia pulmonar. Por ser subjetivo, varia entre examinadores.
Qual a relação entre o Wells para TEP e o PERC?
O PERC é uma regra de 8 itens (idade abaixo de 50, FC abaixo de 100, SatO₂ de 95% ou mais, sem hemoptise, sem estrogênio, sem TEP/TVP prévios, sem edema unilateral da perna, sem cirurgia ou trauma recente) usada em baixa suspeita: se todos forem negativos, dispensa até o D-dímero. Não deve ser aplicada em pacientes com suspeita moderada ou alta.
O Wells serve na gravidez e na COVID-19?
Foi validado em adultos ambulatoriais não gestantes. Na gravidez, existem algoritmos próprios (como o YEARS adaptado e o escore de Genebra), e na COVID-19 o desempenho do Wells e do D-dímero é menor. Use sempre o julgamento clínico e o protocolo local.
Referências
- Wells PS, et al. Derivation of a simple clinical model to categorize patients probability of pulmonary embolism. Thromb Haemost. 2000;83:416–420. — Derivação e validação da regra clínica de probabilidade pré-teste para TEP.
- Wells PS, et al. Excluding pulmonary embolism at the bedside without diagnostic imaging. Ann Intern Med. 2001;135:98–107. — Estratégia de exclusão de TEP com probabilidade clínica e dímero D.
- Kline JA, et al. Clinical criteria to prevent unnecessary diagnostic testing in emergency department patients with suspected PE (PERC). J Thromb Haemost. 2004;2:1247–1255.
- Konstantinides SV, et al. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism. Eur Heart J. 2020;41:543–603.